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Ana, acordou, despertou, pensou e regurgitou num
tapete desconhecido, num quarto diferente, ao lado de um estranho qualquer, que
a possui com a violência de um astro de filme pornô barato. Os lençóis
amarelados lembravam aqueles; de motéis baratos. Ao seu lado dormia um
infortuno escravo de seus desejos impulsivos. O príncipe da noite de ontem era
o estorvo daquela manhã, na qual o sol brigava com as nuvens, para conquistar o
seu devido lugar.
A moça levantou, caminhou até o banheiro,
tropeçando nas roupas amontoadas, garrafas de cervejas, bitucas de cigarros e
nas esperanças esquecidas. No lavabo olhou-se no espelho, lembrou-se de um poema
de Cecilia Meireles, que começava com os seguintes versos; Eu não tinha este
rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro nem estes olhos tão
vazios, nem o lábio amargo. Lavou
seu rosto, limpou o negro de seus olhos, da maquiagem forte da noite anterior.
Vestiu suas amassadas roupas, olhou para o
desconhecido, que dormia feito um cadáver. Não o acordou. Partiu sem deixar bilhete, fechou a porta com cuidado, saiu sorrateiramente, com uma única certeza; aconteceu. Não passava vontade, realizava seus mais bizarros desejos sexuais, gostava de sentir-se desejada ao menos por uma noite. Caminhando pelas ruas ouvia as buzinas dos carros. Cansada, enjoada, passou numa
farmácia comprou remédio para seu mal estar. Pegou o ônibus até seu trabalho,
tomou café na padaria de costume, refletiu por um momento na efemeridade de seus encontros, mas logo esqueceu, e num sobressalto pensou. - Qual será o bar de hoje?

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