terça-feira, 23 de julho de 2013

Qual será o bar de hoje?


      Ana, acordou, despertou, pensou e regurgitou num tapete desconhecido, num quarto diferente, ao lado de um estranho qualquer, que a possui com a violência de um astro de filme pornô barato. Os lençóis amarelados lembravam aqueles; de motéis baratos. Ao seu lado dormia um infortuno escravo de seus desejos impulsivos. O príncipe da noite de ontem era o estorvo daquela manhã, na qual o sol brigava com as nuvens, para conquistar o seu devido lugar.

  A moça levantou, caminhou até o banheiro, tropeçando nas roupas amontoadas, garrafas de cervejas, bitucas de cigarros e nas esperanças esquecidas. No lavabo olhou-se no espelho, lembrou-se de um poema de Cecilia Meireles, que começava com os seguintes versos; Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Lavou seu rosto, limpou o negro de seus olhos, da maquiagem forte da noite anterior.


   Vestiu suas amassadas roupas, olhou para o desconhecido, que dormia feito um cadáver. Não o acordou. Partiu sem deixar bilhete, fechou a porta com cuidado, saiu sorrateiramente, com uma única certeza; aconteceu. Não passava vontade, realizava seus mais bizarros desejos sexuais, gostava de sentir-se desejada ao menos por uma noite. Caminhando pelas ruas ouvia as buzinas dos carros. Cansada, enjoada, passou numa farmácia comprou remédio para seu mal estar. Pegou o ônibus até seu trabalho, tomou café na padaria de costume, refletiu por um momento na efemeridade de seus encontros, mas logo esqueceu, e num sobressalto pensou. - Qual será o bar de hoje?


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